O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas rejeitou na terça-feira as críticas do primeiro-ministro Luís Montenegro ao jornalismo e aos jornalistas, apontando que o setor “está inquieto porque questiona, interroga, investiga, reflete, informa, comunica e interage com os destinatários”.
“Quem escolhe esta profissão tem disponibilidade e dedicação às tarefas do jornalismo, e o termo ‘calças’ – utilizado pelo Primeiro-Ministro – não retrata o importante contributo desta classe profissional para a construção do Portugal democrático, nos últimos 50 anos”, sublinhou o Conselho de Ética do sindicato, em comunicado.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que quer um jornalismo livre em Portugal, sem interferências dos poderes, sustentável do ponto de vista financeiro, mas mais calmo, menos ofegante, com garantias de qualidade e sem questionamentos exagerados.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, já esclareceu que estas declarações devem ser interpretadas “no sentido positivo” de valorização destes profissionais.
“Se a reflexão e a serenidade são aliadas do jornalismo, a inquietação e a urgência também o são, e foram decisivas para que muitos exercessem esta profissão durante a ditadura do Estado Novo”, destacou o Conselho Deontológico.
Este órgão autónomo do Sindicato dos Jornalistas destacou ainda que os auscultadores utilizados pelos jornalistas, a que se referiu o primeiro-ministro, “são utilizados para transmitir e receber informação durante o trabalho jornalístico, e não porque ‘tudo é controlado remotamente, tudo está pré-determinado’. “
O Governo apresentou esta terça-feira o seu Plano de Ação de Comunicação Social, composto por 30 medidas, divididas em quatro eixos – Regulação Setorial, Serviço Público Concessionado, Incentivos Setoriais, Combate à Desinformação e Literacia Mediática.
Entre estas medidas está o fim da publicidade da RTP e um programa de saídas voluntárias, que poderá abranger um máximo de 250 pessoas, sendo contratada uma nova pessoa por cada duas que saiam.
O Conselho Deontológico manifestou-se também solidário com a posição adoptada pelo Sindicato dos Jornalistas, que qualificou o plano de insuficiente, alertando que contempla o desmantelamento da RTP, “sob a protecção” do serviço público, ao prever o corte de publicidade e demissões. . Para o Conselho de Ética, “reduzir para metade o número de funcionários da RTP não favorece as boas práticas jornalísticas, porque exigem tempo, investigação e reflexão”.
“O CD alerta ainda para os riscos de degradação das condições e horários de trabalho que podem decorrer do anunciado plano de saídas voluntárias da RTP, que tem como limite a saída de 250 trabalhadores (com a contratação de 1 novo trabalhador com perfil diferente) .
Este órgão do Sindicato dos Jornalistas destacou ainda que “o anunciado fim da publicidade no canal público não favorecerá o trabalho informativo nem a sobrevivência de delegações fora dos grandes centros urbanos, nos países de língua portuguesa ou naqueles onde existam comunidades lusófonas”. “. que merecem ser objeto do olhar do serviço público de jornalismo”.